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BARRAGEM DA INGAZEIRA: UMA QUESTÃO SOCIAL – PARTE 2


O  Blog PAJEU EM FOCO, dano sequência a uma séries de reportagens a respeito desse mega projeto hídrico, denominado BARRAGEM DE INGAZEIRA, após toda uma investigação na área do represamento das águas, nas comunidades de Várzea dos Cordeiros e Cachoeirinha, percebeu a gravidade dos problemas sociais que , mesmo com apenas 20% da capacidade de armazenamento de águas do Rio Pajeú, está causando para um universo grande de pessoas, principalmente os homens e mulheres do campo, pequenos produtores rurais, agricultores familiares e trabalhadores rurais das comunidades, que ficam em torno da parede de barramento e das áreas banhadas pelo rio Pajeú, quando já represadas,  causam muitas preocupações aos movimentos sociais, Igreja Católica, Sindicato de Trabalhadores Rurais envolvidos na luta em defesa dos Atingidos por Barragens, o Conselho de Desenvolvimento Rural de Tabira, entre outros, pois agora de forma mais nítida, estão vindo a tona, com as últimas chuvas e as várias cheias do Rio, que acumula um volume de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de água.

Nas várias audiências que estão sendo realizadas nos municípios de Tuparetama, São José do Egito, Tabira e Ingazeira, municípios que serão atingidos em seus territórios pelo represamento dos volumes das águas da Barragem de Ingazeira, os movimentos sociais, tendo a liderança do Reverendo Padre Luizinho Marques, da Paróquia de Ingazeira, o que tem  chamado a atenção, é para o fato de não ter existido nenhum tipo de planejamento para lidar com a população ribeirinha, pois uma obra pública dessa grandeza, só teria sentido, quando primeiramente se preocupasse com as pessoas que estão envolvidas, sejam nos benefícios ou nos prováveis prejuízo de uma obra de tamanha grandeza, como obra pública.

O Governo Federal passou a responsabilidade pela construção dessa barragem, para o Departamento de Obras Contra as Secas, em valores várias vezes alterados, nas chamadas “Aditivos”, que a construtora, como as demais construtoras que trabalham para o Governo Federal, são costumeiras em fazer, ficando uma obra sem o valor final contabilizado até o presente momento, custando o dobro do valor anteriormente licitado.

Mas, uma coisa o DNOCS não se preocupou: com a construção de 119 km de estradas de acesso as comunidades rurais, prometendo apenas 51 km; as passagens molhadas, pontes e boeiras, obrigatórias nas estradas de rodagem, para a passagem dos habitantes, animais e veículos no período de inverno;  buscar assegurar assentamentos para os pequenos agricultores familiares e trabalhadores rurais, que iriam ser atingidos, pois com os valores pagos com as indenizações (mil reais por hectare), que valeria em preço atualizado, em torno de trinta, quarenta e até cinquenta mil reais, a maioria dos atingidos não conseguiram uma casa ou um sítio, com valores irrisórios para comprar e se restabelecer, enquanto homem do campo; construção de agrovilas para os trabalhadores rurais, que vendiam seus serviços laborais para os agricultores familiares e pequenos produtores rurais.

O que as autoridades e os executivos do DNOCS, esconderam para a população ribeirinha, eram os graves problemas sociais que esse represamento iria causar, além dos problemas complementares que iriam acontecer, como a pesca predatória; uso desenfreado e sem controle das águas, principalmente dos grandes e médios fazendeiros, que buscam tirar lucro em cima da produção de grandes lavouras de monoculturas; uso indiscriminado de agrotóxicos e defensivos agrícolas, além de adubos químicos em exagero, como forma criminosa de fazer a correção dos solos, já judiados pelos longos períodos de estiagens; advento de migrações de população agrestina para a região, a fim de ocupar as áreas públicas indenizadas e que não foram cobertas pelas águas, investindo no plantio de tomate, pimentão, milho, entre outros produtos agrícolas, a base de pulverizações de agrotóxicos,  sem nenhum limite ou critério estabelecido pela legislação ou Engenheiro Agrônomo, que causarão a desertificação do solo, bem comprometido atualmente, além de prejuízos ambientais e de saúde da população ribeirinha.

Confira entrevista do padre Luizinho Marques, da Paróquia de Ingazeira

Diante desses impactos econômicos, políticos e sociais na vida dos sertanejos, que povoam a ribeira do Rio Pajeú, quase nas suas cabeceiras e diante do silêncio das autoridades federais, estaduais e dos prefeitos e vereadores da região atingida, como também, a falta de mobilização social dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais e parte das lideranças locais, procuramos conversar com o Padre Luizinho, pároco da município de Ingazeira e uma das principais vozes de denúncia e descontentamento da situação calamitosa que foram empurrados as populações destes quatro município, no entorno da grande barragem da Ingazeira, que em poucas palavras que teve conosco, no dia 01/04/2019, na sua residência na cidade de  Ingazeira-PE, fez um relato do que tem visto nas comunidades e o que tem enfrentado junto aos executivos do DNOCS, para assegurar um mínimo de dignidade para a população ribeirinha, como também, as dificuldades em fazer consciente dos seus direitos, esses agricultores e trabalhadores rurais, da grande pauta de reivindicação que terá que ser colocada na ordem do dia, para a essa população, que nunca mais deixará de ter problemas ou mazelas, causados por uma obra, inicialmente discutida no final do Século XIX, dando início a sua fundação,  em 1948 e até hoje, se arrastando, sem buscar ouvir as pessoas atingidas e planejar uma melhor forma de equalizar os graves problemas econômicos, políticos, sociais e ambientais desta mega obra, que precisará ainda provar, na prática, se esses recursos públicos, em tono de meio milhão de reais, vai servir para o homem ribeirinho e o abastecimento de água potável, para as populações urbanas da região do Pajeú e do Moxotó, como foi apresentado nas justificativas sociológicas para esse projeto, tão ambicioso.

O líder comunitário Joel Mariano , que representa o município de Tabira, nestes fóruns de debates e iniciativas para amenização dos problemas para o homem e a mulher que vivem da roça, junto com Puan Guerra, Câmera Cinematográfico, foram os responsáveis pela entrevista com o Padre Luizinho e que ficará registrada em nossos arquivos, todas as suas indagações, questionamentos e preocupações, para utilizarmos como ferramenta de luta em defesa dos povos ribeirinhos, que agora estão sendo mais algumas centenas de famílias, que no universo de mais de um milhão e quinhentas mil pessoas, passarão pelos mesmos problemas, consequentes destas grandes obras hídricas, que só pensam em resultados econômicos, deixando ao relente os seres humanos.

 

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