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Exclusivo: Tragédia do óleo no Nordeste – quem vai pagar as contas de quem depende do mar pra pagar as contas?

Do pescador ao dono de restaurante, passando pelo proprietário de pousada e pelo garçom. Todos estão preocupados com a tragédia ambiental e cobram um posicionamento mais efetivo do poder público

Foto: Hugo Muniz

Por Wilfred Gadêlha*

“Caro Wilfred, tudo bom? Sou amigo de Alessandra**. Ela me passou teu contato.

Organizei uma viagem com meu parceiro para a segunda semana de dezembro em Mangue Seco e Praia do Forte. Estamos sem saber se mantemos a reserva. A Alessandra falou que você tá cobrindo essa região do litoral baiano. Você recomendaria que mantenhamos as reservas? Ficaria muito agradecido com sua opinião. Abraços”.

Recebi esta mensagem no meu Instagram, na madrugada do último domingo (27). Respondi à dúvida de Francisco** sendo muito sincero: eu disse que estive na Praia do Forte, que foi atingida pelo vazamento de óleo na segunda semana de outubro, e que vi pessoas tomando banho de mar. Mas que os especialistas têm orientado que as pessoas evitem entrar na água nas praias onde a maré negra chegou.

Foto: Hugo Muniz

Últimos dias para você apoiar a grande reportagem da Fórum no rastro do Óleo das Praias do Nordeste. Bora contribuir!

A dúvida de Francisco é muito comum. E isso tem tirado o sono de quem trabalha com turismo nas praias do Nordeste. Do pescador ao dono de restaurante, passando pelo proprietário de pousada e pelo garçom. É assim desde o final de agosto, quando as primeiras manchas de óleo chegaram ao litoral nordestino.

“A gente não esperava. Quando chegou em São José da Coroa Grande, no outro dia chegou aqui. Todo mundo se mobilizou, até os turistas. Então, a gente tem medo que volte, porque é de onde a gente tira o nosso sustento. É até um pouco complicado de comentar. A gente ainda está lutando para recuperar os danos, mas vai ser muito difícil”, conta Pedro Amaro, 21 anos, que trabalha há dois anos como garçom em um hotel na praia de Carneiros, no município de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco.

Foto: Hugo Muniz

“Teve sim uma caída no movimento. Foi um desastre total, principalmente pra gente que vive da praia. Depois que apareceu esse óleo aqui teve uma recaída de turistas. Tem cliente que chegava, mal dava uma olhada na praia e dizia: ‘Não, aqui a gente não fica’. Muitos ficavam, mas iam embora. A gente até dava óleo de cozinha a esses, mas muitos foram embora”, relata Jeyciel Silva dos Santos, 21 anos, há quatro meses trabalhando como garçom em um bar na praia de Antunes, em Maragogi, um dos destinos turísticos mais procurados do litoral nordestino, no norte de Alagoas. “Mas, juntos nós somos mais fortes. Se chegar de novo, a gente limpa”, diz Ciel, como prefere ser chamado, em seu primeiro emprego. “Nosso maior medo é que afete mais ainda nossa praia. Ainda bem que não chegou às piscinas naturais. Na Folha de S. Paulo, saiu que chegou lá. Mas é fake, é mentira. Não tem óleo lá, tá limpo”, salienta ele.

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